segunda-feira, 21 de maio de 2018

ÀS MÃOS QUE NOS VIRAM NASCER





Hoje, celebramos sempre que podemos o lanche com pão com manteiga e queijo, num pretexto para estarmos juntos. Os anos passaram... Foram mãos que nos viram nascer, crescer e agora a começar a envelhecer. Mãos que foram jovens, sonhadoras e lutadoras e nos ajudaram a dar os primeiros passos, nos protegeram a cada passada ao longo da vida. Mãos que, hoje, ainda nos dizem: __ " O queijo já acabou? É preciso arranjar mais."

Pão com manteiga ou queijo, pão com azeitonas, pão de vida ou simples companhia... São aos nossos pais a quem devemos esse pão. Pais que um dia nos viram nascer e que, numa dádiva constante, apoiaram todos os nossos passos desde os mais vacilantes até aos de hoje que são mais seguros, sobretudo na necessidade de retribuir o tanto que por nós fizeram...

Hoje, são eles que vacilam, os pés que querem falhar, as mãos que precisam de apoio e estamos cá nós para lhes dar essas mãos que eles viram nascer, crescer e amadurecer... As mãos que lhes estão gratas pelo tanto que por nós fizeram.

Por isso, às mãos que nos viram nascer, só podemos dizer: "OBRIGADA!" e, uma forma de retribuir, pode ser num simples lanche de pão com manteiga e... queijo ou azeitonas! Ou num simples beijo que diz: "Gostamos tanto de vós!" Ou ainda tantas outras coisas desde que estejamos presentes...







DIÁRIO DA VIDA DE UM CÃO - PASSEIO NA QUINTA DA ALAGÔA



O carrinho das folhas


De volta à Quinta da Alagôa... Passo estugado... Obedeço aos comandos que me vão sendo dados por pequeninos toques na trela. Algumas paragens para fazer uns "apontamentos" fotográficos. Aguardo pacientemente enquanto a minha dona tira a foto...


 Fazendo meditação... Hoje percebemos que afinal não se trata só de bancos para sentar 


Patos e tartarugas




Um momento de pausa



O tempo passa sem se dar conta. É uma caminhada para mim e para a minha dona que vai combatendo os quilos a mais. Como gosto deste nosso novo "projecto". Vamos ver se é para continuar. Quando o tempo estiver bom vou ser um incentivo para a minha dona...




domingo, 20 de maio de 2018

TRÊS QUADROS - TRÊS PRESENTES



 "SONHO" (*)

"O sonho comanda a vida. O Homem sonha e a obra nasce"

São jovens na flor da vida, projectos de uma vida futura que se espera vivida com esperança e entusiasmo. Numa entrega aos outros pela sua profissão, têm também o Futuro nas mãos... 


 "PRIMAVERA" (*)

Um constante renascer da Natureza e da Vida...

Uma vida em conjunto que é feita de altos e baixos. Muitas primaveras passaram numa vida que será feita de mudança e se espera que traga outros horizontes, talvez mais calmos e conformados com o que a vida tem p'ra dar...


"LUZ e SOMBRA" (*)

Uma vida em conjunto que é feita de força e luta. Em que as sombras do Destino são vencidas pela luz da Esperança e da convicção de vencer...


Três quadros, três presentes. Que melhor destino do que dá-los a quem, em diferentes fases da vida, vai encontrando uma forma tão própria de a viver. A cada quadro seu destino. E só assim poderiam fazer sentido. Fazer um quadro e aprender novas técnicas e novas coisas é um prazer, mas encontrar o seu destino também o é.


(*) Quadros pintados sob orientação de quem sabe...






sexta-feira, 18 de maio de 2018

UM TÁXI E OS CNIDÁRIOS - TESTEMUNHO DE UMA AMIZADE




Era chegado o dia "D". Tinha que mostrar do que era capaz, ainda que fosse para mim própria. A apresentação do nosso trabalho na aula prática de 20/30 alunos tinha sido um desastre. Quis o destino que o trabalho sobre os Cnidários proposto na aula teórica não tivesse ninguém para o apresentar. "Tinha" que o apresentar eu na aula teórica de Zoologia do Professor Almaça. Agora não se tratava de um grupo de 20 ou 30 alunos como nas aulas práticas. Eram várias dezenas de alunos que assistiam à aula num anfiteatro apinhado. 





Era manhã cedo. Tinha acabado de chegar ao Cais do Sodré. Ia carregada de livros. O tempo urgia. Normalmente ia de eléctrico ou a pé. mas naquele dia não era possível. Chamei um táxi. Vi duas colegas da faculdade a saírem da estação de caminho de ferro. Convidei-as a vir também...

Tinha desistido de Agronomia. Gostava de desenhar flores e folhas, mas frequentar a Faculdade de Agronomia durante o período da Reforma Agrária não era bem a mesma coisa. Virei-me para a Biologia na Faculdade de Ciências onde os anfiteatros estavam cheios até ficarmos fora da porta, se nos atrasássemos um pouco, onde nos laboratórios de Química eramos cinco ou seis alunos para mexer numa torneirinha para deixar cair o reagente... Mais uma vez desisti um ano e outro... Finalmente, chegara a altura de tomar a decisão definitiva. E resolvi que ia para a frente quaisquer que fossem as condições. Foi assim que aquele dia chegou... 

O táxi parou. Metemo-nos as três no carro. Foi o início de uma nova corrida. Dei a minha aula, que foi "um esforço interessante" na apreciação do Professor; segui o meu curso com normalidade e foi o começo de uma nova amizade com duas colegas que se prolonga até hoje...

No que deu uma corrida de táxi para chegar a tempo de apresentar um trabalho sobre corais, alforrecas e afins, ou seja, em linguagem científica, os Cnidários. 

Nunca é tarde para seguirmos os nossos sonhos, recomeçar e criar novas amizades. Às vezes, o destino leva uma volta e basta um "clic" e um acaso para que cheguemos a bom porto... Foi o que aconteceu comigo na altura e poderá vir a acontecer com tantos alunos que andam perdidos nos primeiros anos da Faculdade até encontrarem o seu caminho, sobretudo com o apoio de outros colegas.

Mais do que nunca penso que a vida é mesmo isso, uma sequência de acasos felizes e infelizes e que cabe a nós tentar agarrar os momentos felizes e ir em frente, pois somos mais fortes do que julgamos, sobretudo quando temos a sorte de ter amigos...






(Fotografias retiradas da NET)





quinta-feira, 17 de maio de 2018

DIÁRIO DA VIDA DE UM CÃO - PRIMEIRO PASSEIO NA QUINTA DA ALAGÔA





A Primavera faz-se anunciar por todo o lado... O chilrear dos pássaros logo pela manhã, as flores que espreitam de toda a parte, os casacos que vão ficando de lado, o Sol que brilha no céu azul e espalha o calor durante o dia...

A minha dona precisa de perder o peso em excesso e eu sou doido por um passeio... Tudo conjugado levou-nos ao Parque da Quinta da Alagôa onde afinal podem entrar cães desde que vão com trela. É um local seguro, tranquilo, agradável e muito acolhedor. 





O lago e a pequenina cascata, juntamente com o arvoredo frondoso, dão frescura e bem estar a quem por aqui se passeia. 



O verde dos relvados e as geometrias dos muretes pintados de branco dão-lhe um ar dinâmico e contemporâneo... Pontos de descanso e libertação do espírito... Virados para um lago cheio de vida. Peixes, patos, rãs, tartarugas...



Os eucaliptos e o doce murmurar das suas folhas tornam muito relaxante o calcorrear dos caminhos... de onde vemos pombos, patos, melros e passarinhos de muitos tipos que depenicam aqui e ali, para além de se ouvirem os gritos dos pavões que vão dando o ar da sua graça e até um garnisé emproado que disputa as migalhas encontradas pelos pombos.







Muito verde e zonas para se estar...





Instalações aqui e ali... Espaços para brincar, exercitar o corpo e acalmar a mente... Dois barzinhos para comer um gelado, beber um sumo, petiscar uns salgadinhos ou umas sandwiches... Cortes de ténis e jardins infantis... 




É sem dúvida um espaço diversificado e bem arrumado onde qualquer pessoa ou um cão obediente e bem controlado pelo dono podem estar e passar uns momentos de natural prazer num espaço verde de um meio urbano...




À saída despede-se o colorido das flores, que são promessa de tornar a voltar... Sim, eu e a minha dona ficámos fãs!



Às vezes, os nossos donos não sabem onde nos podem levar a passear com segurança... E, desde que eles tenham o cuidado de nos levarem pela trela e apanhar os nossos "presentes" com um saquinho para o lixo, que se multipliquem estes espaços para quem vive na cidade.  


(Foto dos pavões tirada pela minha amiga S.)






quarta-feira, 16 de maio de 2018

CANCRO DA MAMA - FIM DE UMA CAMINHADA



Jardim da Fundação Champalimaud


Finalmente tivemos a confirmação de que chegámos ao fim desta caminhada... Na consulta  com o cirurgião que me operou há pouco mais de um ano (um ano e dois meses) foi-nos dito que, de momento, tudo está bem. Agora só falta a consulta de Oncologia daqui a três meses e, se tudo continuar bem, é repetir os exames daqui a um ano... Nem sempre foi fácil, mas tu estiveste sempre presente juntamente com toda uma equipa pronta para ajudar a ultrapassar este cancro que surgiu sem dar sinais...


Quisera eu ser poeta * 
Quisera eu ser pintora *
Escrever telas e pintar poemas *

Escrever e pintar, pintar e escrever
Toda a tua presença nesta caminhada que foi a nossa...

Pedi-te a mão,
Disseste-me que sim,
Deste-me o teu braço e o teu tempo,
Deste-me todo o teu apoio e aceitação, 
Caminhaste a meu lado até ao fim.

Poemas não consigo fazer
Mas posso agradecer 
Da forma mais simples que pode ser:
__ Obrigada, pela tua presença
Que me deu tanto alento e esperança...
__ Obrigada, por acompanhares a minha passada...
__ Obrigada, por cada pedra ultrapassada...
É isso, não preciso dizer mais nada...
__ Obrigada!






(*) - versos retirados de poema de autor desconhecido





terça-feira, 15 de maio de 2018

"CANCRO DA MAMA - COMO O VIVI", o meu novo "Blog"




Agora que penso estar curada, senti a necessidade de prestar mais um testemunho entre tantos outros como alguns daqueles que me ajudaram a enfrentar um cancro da mama nas diversas fases do seu tratamento. É um testemunho na primeira pessoa de como podemos ultrapassar esta doença com um mínimo de alento e confiança e até de algum bem estar a nível psicológico, se o diagnóstico for suficientemente precoce. PREVENIR é a palavra chave...

"CANCRO DA MAMA - COMO O VIVI" (http://cancrodamama2018.blogspot.pt) é mais um "Blog" que aborda este tema que aflige, afligiu e poderá vir a afligir tantas mulheres, e até homens por curioso que possa parecer. 



Na mulher, tem uma variante mais marcante que é a da maior frequência e do que lhe está associado do ponto de vista da estética aquando do seu combate, como ter que se fazer a remoção da mama nos casos extremos. Para além de que, a Quimioterapia, em grande número de casos, afecta também a sua feminilidade com a queda do cabelo, das pestanas e das sobrancelhas, podendo provocar alteração das feições e até do corpo como o aumento do peso(...)

Cada caso é um caso. Por isso, é essencialmente ao meu percurso  com um tipo de cancro da mama específico (o triplo negativo) a que me refiro neste "Blog". É um registo das diferentes etapas por que fui passando e da forma como foram decorrendo, assim como do muito que fui aprendendo numa situação completamente desconhecida para mim. Embora cada situação possa ser diferente das outras há muito em comum. E é por isso que, ao partilhar-se a nossa experiência, talvez possamos ir ao encontro de muitas outras situações.

Quando recebemos a notícia de uma situação de cancro da mama ficamos desnorteadas. Não sabemos exactamente o que nos espera. Possivelmente ouvimos falar de um ou outro aspecto relacionado com o cancro da mama, mas não sabemos nada de concreto. Foi o que me aconteceu. A minha própria avó morreu de cancro da mama, mas pouco se falava disso. Apenas da necessidade de haver uma maior vigilância da nossa parte, não fosse a genética pregar-nos uma partida. Hoje, felizmente, fala-se de cancro como de outra doença qualquer. E foi também na partilha de experiências vividas por outras mulheres quer pessoalmente, quer através dos meios de comunicação social ou da NET e, sobretudo por essa equipa fantástica que trabalha na Fundação Champalimaud a que tive a sorte de ter acesso, que encontrei  alento para ultrapassar mais esta pedra que o destino me pôs no caminho.

Sei que nem todos os locais de tratamento se comparam àquele que encontrei na Fundação, independentemente da dedicação de quem trabalha noutros sítios poder ser a mesma. Fiquei com a certeza de que o bem estar a nível do ambiente que nos rodeia ajuda imenso a manter o ânimo e a força de lutar para vencermos as várias etapas do processo de tratamento o melhor possível. Pena é que isso não aconteça noutros hospitais e centros de tratamento. Mas há que não perder a esperança de que um dia isso venha a acontecer.

Tenho que agradecer sobretudo a quem me deu a mão nestes momentos que não são fáceis mas que são ultrapassáveis sobretudo se nos pudermos apoiar na família, nos amigos e nos profissionais que se dedicam com zelo e carinho a uma causa que é de todos nós. E, acima de tudo, fizermos uma prevenção atempada.




(NOTA: Para ler pela ordem cronológica o "Blog" "CANCRO DA MAMA - COMO O VIVI", é começar no último "post" e andar para trás)